Irmãos no comando de estados por vias eleitorais e judiciais
Irmãos no comando de governos estaduais são raros no Brasil: casos por eleição no Ceará e Acre, e sucessão constitucional de dois desembargadores em RO.
A presença de irmãos no comando de governos estaduais no Brasil é um fenômeno raro, mesmo em um cenário marcado por famílias com atuação política histórica. Nos registros recentes, apenas dois pares chegaram ao Executivo por eleição direta: Ciro e Cid Gomes, no Ceará, e Jorge Viana e Tião Viana, no Acre.
Nos casos do Ceará e do Acre, a ascensão ao cargo de governador se deu por meio do voto popular, em contextos de consolidação política e continuidade de grupos familiares com protagonismo regional.
Em Rondônia, a trajetória foi diferente. Raduan Miguel Filho e Alexandre Miguel ocuparam interinamente o governo estadual por efeito da linha de sucessão constitucional, acionada quando o titular e o imediato substituto estão ausentes ou impedidos de exercer o cargo.
Ambos são desembargadores do Tribunal de Justiça de Rondônia e já exerceram a presidência da Corte. Nessas condições institucionais, assumiram temporariamente a chefia do Executivo estadual em ocasiões distintas, como substitutos previstos pela constituição estadual.
O caso rondoniense reúne, na mesma família, dois irmãos que chegaram à magistratura por concurso público, alcançaram o cargo de desembargador, presidíram o Tribunal de Justiça e, posteriormente, assumiram de forma temporária o Governo do Estado, o que confere singularidade ao episódio.
A família também tem atuação partidária: o advogado e cientista político Vinicius Miguel concorreu ao Governo de Rondônia em 2018 e atualmente integra a direção estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
A comparação entre os exemplos mostra dois caminhos distintos para que irmãos cheguem ao topo do poder estadual: via eleição direta, quando escolhidos pelo eleitorado, ou via sucessão constitucional, vinculada a posições institucionais ocupadas no Judiciário ou na administração estadual.
Mesmo com a recorrente influência de grupos familiares na política regional, não há registros recentes de irmãos governando estados simultaneamente. As ocorrências identificadas deram-se de forma sucessiva, por eleição, ou indireta e temporária, por substituição constitucional.
Esses episódios evidenciam a raridade do fenômeno e mostram que trajetórias institucionais e eleitorais distintas podem conduzir membros de uma mesma família ao exercício do cargo de governador.