Maioria dos eleitores de Rondônia relata desânimo com a política
Pesquisa mostra 50,6% dos eleitores de Rondônia desanimados com a política; confiança nas instituições é baixa e eleitor prioriza gestão, segurança e entregas.
O relatório "Raio‑X do Eleitor de Rondônia", divulgado nesta semana, indica que mais da metade dos eleitores do estado se declara desanimada com a política: 50,59% dos entrevistados apontaram desânimo em relação à política estadual.
Somente 34,02% dos ouvidos disseram manter algum nível de esperança, resultado que sinaliza um eleitorado mais cético, menos engajado emocionalmente e com maior exigência por entregas concretas da administração pública.
No levantamento, a capital Porto Velho apresenta um quadro ainda mais marcado: 51,77% dos entrevistados informaram sentir desânimo. O estudo associa esse resultado a um eleitorado mais crítico, com maior nível de escolaridade e cobrança intensa sobre governos estadual e federal.
Além do desânimo, a pesquisa trouxe um detalhamento dos sentimentos em relação à política: 3,6% declararam indiferença, 5,6% relataram sentimento de medo e 6,2% apontaram raiva. Os otimistas correspondem a aproximadamente 34% dos respondentes.
No campo econômico, a percepção de melhora é desigual conforme a renda. Entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, 50,64% perceberam melhora na situação financeira. Na base da pirâmide (até dois salários mínimos), apenas 34,88% relataram melhora, enquanto 39,53% afirmaram piora, indicando um crescimento com impacto concentrado nas camadas mais ricas.
A confiança nas instituições também aparece fragilizada. Órgãos como o Supremo Tribunal Federal, o Congresso e os governos receberam avaliações majoritariamente baixas (predominância de notas entre 0 e 1). Em contraste, a polícia surge como a instituição com maior respeito entre os entrevistados, com nota predominante igual a 8, reforçando a centralidade da pauta de segurança pública no estado.
Os analistas do levantamento interpretam que o eleitor rondoniense tende a se afastar de discursos estritamente ideológicos e a priorizar resultados práticos. Em um cenário de baixa confiança institucional e sentimento de desânimo, candidatos que apresentarem capacidade de gestão, foco em segurança pública e propostas com entregas efetivas têm maiores chances de encontrar receptividade no processo eleitoral de 2026.