Assembleia de Rondônia cria fórum permanente de debate econômico
Assembleia de Rondônia cria fórum para debater economia e tributos com empresários, TCE e especialistas, buscando reduzir entraves e orientar decisões.
A Assembleia Legislativa de Rondônia passou a estruturar um fórum permanente de debates econômicos e tributários, criado pelo presidente da Casa, deputado Alex Redano (Republicanos), com o objetivo de aproximar o parlamento das decisões que atingem produtores, investidores e geradores de emprego no estado.
O fórum surge em meio a um cenário de incertezas globais — inflação, disputas comerciais, avanços em inteligência artificial e tensões internacionais — que ampliam os efeitos de fragilidades locais quando há crises externas.
Rondônia enfrenta problemas estruturais como dependência logística, custos elevados de transporte, entraves ambientais e lentidão na regularização fundiária. Essas limitações, conforme os participantes do encontro, tornam o estado mais vulnerável a choques externos e a variações nos juros e no câmbio.
O novo espaço de debate reúne empresários, representantes do Tribunal de Contas, da Secretaria de Finanças, parlamentares e economistas, com a proposta de fortalecer o debate técnico antes da votação de propostas e medidas políticas que afetam a economia regional.
“Se determinados projetos tivessem passado antes por um debate como esse, muitos problemas poderiam ter sido evitados”, afirmou Alex Redano durante o encontro, defendendo maior interlocução entre Legislativo e setores produtivos.
Parte das críticas direcionadas ao evento referiu-se a propostas tributárias apresentadas sem diálogo prévio com o setor produtivo, o que, segundo participantes, reduz previsibilidade e gera conflito entre poder público e empresários.
O deputado Cícero Noronha defendeu maior previsibilidade nas pautas fiscais: “A Assembleia está se posicionando contra matérias enviadas na calada da noite”, afirmou ao defender a necessidade de consultas prévias.
O economista Pablo Spyer alertou para riscos decorrentes de inflação global, disputas tecnológicas e impactos da inteligência artificial, ressaltando que, mesmo distantes, esses fatores afetam estados como Rondônia, dependentes do agronegócio, do crédito e da exportação de commodities.
Alex Redano busca, com o fórum, posicionar a Assembleia não apenas como casa legislativa, mas como espaço de articulação econômica regional capaz de antecipar problemas e orientar políticas públicas.
O desafio apontado pelos participantes é transformar o debate técnico em resultados práticos para setores prejudicados por burocracia, infraestrutura precária e insegurança jurídica. Segundo Redano, “licenciamento ambiental e regularização fundiária continuam sendo gargalos clássicos que não avançaram como deveriam”.
Os organizadores defendem que processos mais transparentes e diálogo prévio entre setores público e privado podem reduzir impactos negativos sobre emprego, crédito, inflação e produção no estado.