Voltar Publicada em 09/11/2020 | Brasília

Vacina contra Covid é 90% eficaz, anunciam Pfizer Biontech

Farmacêuticas são as primeiras a apresentar dados bem sucedidos de ensaio clínico em larga escala; imunizante também é testado no Brasil

 

A farmacêutica Pfizer anunciou um bom resultado da primeira análise parcial dos testes em fase 3 de sua vacina para Covid19, sugerindo 90% de eficácia nos primeiros 94 eventos avaliados: isso significa que 94 pessoas envolvidas no teste pegaram a doença, e 90% estão no grupo que não recebeu a imunização.

Um “evento”, no jargão dos testes de vacina, é uma pessoa doente. A fase 3 consiste em comparar o número de pessoas que ficam doentes – os eventos – entre dois grupos: um que foi vacinado e outro que recebeu um placebo, uma vacina de mentira.

O resultado é muito promissor, mas não se pode descartar a hipótese de ser uma coincidência: é como jogar uma moeda para o alto várias vezes e ela cair com mesmo lado para cima nos cinco ou seis primeiros arremessos. São necessários muito mais lances antes de se afirmar com certeza que a moeda é viciada.

Do mesmo modo, para eliminar o risco de declarar como eficaz uma vacina que só deu sorte no começo dos testes, antes de iniciar a fase 3 calcula-se o número mínimo de eventos necessário para um resultado robusto. No caso da Pfizer, esse número é 164.

Só quando houver este número de eventos é que poderemos saber se a vacina protege, e o quanto ela protege. Comparando os dois grupos, poderemos saber se ela protegeu pelo menos 50% das pessoas vacinadas, que é o mínimo necessário exigido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

No meio do caminho, as empresas podem fazer análises parciais – chamadas interinas, para acompanhar o progresso dos testes.

Essas análises são informativas, mas não substituem a análise total dos resultados.

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Por isso, a Pfizer vai cumprir os testes até o final. E também precisa comprovar a segurança  por dois meses após a última aplicação.

Mas, certamente, ter 90% de eficácia nesta primeira análise é um bom sinal, e um primeiro sinal de que as vacinas podem proteger realmente contra a doença.

Lembrando também que Pfizer considerou como eventos as pessoas que tiveram sintomas e confirmaram diagnóstico para Covid19, ou seja, não sabemos se havia também voluntários assintomáticos nos dois grupos. Isso seria importante para saber se a vacina previne o contágio, o que, embora não seja essencial, seria muito bom.

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Além deste primeiro passo de esperança, o fato de a vacina da Pfizer não ter apresentado efeitos colaterais dignos de nota sugere que ela será a primeira vacina de RNA aprovada no mundo. Vacinas genéticas, como as de RNA, podem revolucionar a maneira como fazemos vacinas para sempre. São fáceis de fazer, baratas, com alto rendimento, e o melhor de tudo, muito versáteis. Com a plataforma pronta e aprovada, fica fácil adaptar a tecnologia para outros vírus.

O resultado da análise interina da Pfizer deve ser visto com cautela, sabendo que esta eficácia de 90% pode mudar quando fizerem a análise completa, como a proporção de caras e coroas pode ir mudando à medida que jogamos a moeda para o alto.

Mas não há como não se emocionar com a possibilidade de uma vacina para esta pandemia, e com a ciência avançando em tempo recorde. É o primeiro passo para curar o mundo.

 

Fonte: *Natália Pasternak é presidente do Instituto Questão Ciência (IQC), pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e colunista do GLOBO

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