Notícia publicada em 15/02/18 - 09:38 | Geral | Porto Velho
Pecuária ocupa um terço das propriedade rurais de RO
Até o ano passado o fundo Proleite já havia financiado a implantação de mais de mil projetos de pastejo rotacionado
Irene Mendes

Enoque Gonçalves de Oliveira


A importância econômica e social da pecuária leiteira em Rondônia fica mais evidente quando se observa que mais de um terço das propriedades rurais do estado se dedicam à produção de leite. Nos municípios menores é a atividade que mais gera postos de trabalho e melhor distribui renda, fazendo girar a roda da economia com a injeção de R$ 52.800.000 no mercado a cada mês. Até o ano passado o fundo Proleite já havia financiado a implantação de mais de mil projetos de pastejo rotacionado. O leite é um produto que não depende de safra, a produção é diária. Os contratos dos produtores com os laticínios têm pagamentos mensais, como se fossem salários. Quando os produtores recebem, redistribuem o dinheiro no comercio local, pagando o fornecimento de insumos usados na produção e gêneros de uso cotidiano da família.


 


“O leite cobre o custeio das atividades de rotina e facilita a gestão da propriedade rural, liberando os rendimentos das culturas de safra, inclusive aqueles obtidos com a venda dos bezerros, para o produtor fazer novos investimentos”, explica o médico veterinário da Emater-RO, José de Arimateia, mostrando o caderno de gestão da propriedade, uma publicação impressa, produzida pela Emater-RO para ajudar os produtores no controle administrativo e contábil da propriedade rural. O perfil da pecuária leiteira em Rondônia começou a mudar a partir dos anos dois mil, com o movimento de produtores insatisfeitos com os resultados obtidos na atividade. A maior reclamação deles era com os preços pagos pelos laticínios, o Estado precisou intermediar o diálogo entre produtores de leite e a indústria.


 


Foram chamados para participar da conversa a Secretária de Estado da Agricultura, a Emater-RO e a Embrapa entre outros, e logo de início percebeu-se que a falta de rendimento da atividade devia-se mais à baixa produtividade e pouca qualidade do produto do que aos preços, propriamente ditos. Naquela época a produtividade andava abaixo de três litros de leite/dia por vaca e o índice de rejeição de leite na plataforma da indústria estava acima de 30%, por causa da acidez. Para mudar essa realidade foi criado o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira, que ganhou o nome de Proleite, e com ele foram desenvolvidos programas e projetos integrando pesquisa, extensão rural e governo estadual, com o objetivo de melhorar a produtividade na cadeia produtiva do leite. O órgão de assistência técnica e extensão rural ficou encarregado de executar os projetos e políticas públicas criadas para desenvolver a cadeia produtiva do leite.


 


As primeiras ações do Proleite executadas pela Emater-RO foram no sentido de melhorar a qualidade e diminuir o índice de rejeição do leite na plataforma do laticínio, depois foram criados os projetos para introdução de capineiras, uso da cana mais ureia, controle da mastite e práticas de melhoramento genético. Para os padrões de atividade agropecuária o processo de mudança foi rápido. Para se ter uma ideia, há dez anos a produtividade média de leite por vaca ainda era de três litros/dia e no último levantamento feito por ocasião da comprovação da segunda vacinação contra aftosa em 2017 apurou-se uma produtividade de cinco litros de leite por vaca/dia. “O segredo do sucesso na produção leiteira rondoniense está baseado no tripé: genética, alimentação e sanidade”, diz o técnico da Emater-RO, acrescentando que a boa aplicação da técnica exige uma administração do empreendimento comprometida com os resultados. Os projetos são executados individualmente, mas interagindo entre eles.




GENÉTICA


 
No intuito de promover o melhoramento genético do plantel, o governo trabalha com o Projeto inseminar. Este é um dos projetos públicos de melhoramento genético mais bem sucedido do país. Participam dele 270 organizações de produtores rurais e 1.100 proprietários recebem assistência técnica gratuita da Emater-RO. Na prática de inseminação artificial, além da orientação técnica, a Emater-RO também fornece as botijas de nitrogênio líquido, guardadas estrategicamente na sede da associação ou de grupo solidário de produtores. Em geral os produtores compram o sêmen de grandes fornecedores nacionais ou internacionais e para resfriamento das botijas e conservação do sêmen adquirem o nitrogênio em valores subsidiados pelo governo do Estado através do Fundo Proleite. A mesma estrutura de botijas já está dando suporte a mais um avanço tecnológico no campo da reprodução e melhoramento genético. É o projeto de fertilização in vitro iniciado como projeto piloto em 50 propriedades beneficiadas com 500 prenhezes positivas nos sete municípios do cone sul do estado. 


 


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